Estudantes completam terceiro dia de acampamento na Aleam
Fonte: riosdenoticias.com.br | Data: 06/11/2026 13:23:23
Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Estudantes e universitários completaram, nesta sexta-feira, 6/11, o terceiro dia de manifestação e acampamento em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na avenida Mário Ypiranga, zona Centro-Sul de Manaus. O grupo cobra respostas sobre a retomada dos créditos do Passe Livre Estudantil.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a presidente da União dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thayli Duarte, informou que representantes do movimento se reuniram com os deputados estaduais Sinésio Campos (PT) e Adjuto Afonso (União Brasil), na quarta-feira, 4, quando também entregaram uma carta com reivindicações.

Segundo Thayli, os estudantes esperavam que representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e do Governo do Estado participassem de uma sessão na quinta-feira, 5, para prestar esclarecimentos aos estudantes. No entanto, de acordo com a representante, o sindicato não compareceu.
“O Sinetram, de forma covarde, não quis aparecer. Então o posicionamento que a gente teve foi esse, o silêncio e uma nota que o Sinetram colocou ontem, que era sobre não respeitar a decisão liminar que foi posta”, declarou.
Estudantes anunciam novas medidas
Durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, os representantes do movimento anunciaram que pretendem formalizar uma denúncia contra o Sinetram junto ao Ministério Público e solicitar à Câmara Municipal de Manaus a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do sindicato.
“Queremos saber para onde está indo o dinheiro do povo. Queremos saber cada detalhe, e que o Sinetram abra o sigilo e mostre em planilha, enfim, o que for preciso, para que a gente saiba para onde está indo esse recurso todo”, afirmou Thayli Duarte.

A estudante Maria Fernanda, integrante do movimento secundarista, também participou da ocupação e destacou as dificuldades enfrentadas pelos alunos com a suspensão dos créditos. Segundo ela, a falta do benefício compromete a rotina de estudantes que precisam se deslocar diariamente para as escolas e cursos preparatórios.
“Eu pago a meia-passagem, eu sei como é difícil, porque tem estudante que ajuda em casa”, afirmou.
Maria Fernanda também demonstrou preocupação com a proximidade das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Processo Seletivo Contínuo (PSC), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), cuja primeira aplicação será neste domingo, 8.
“Quem se prejudica somos nós, filhos dos trabalhadores, somos nós, filhos de professores, que estamos aqui lutando por um direito do povo”, declarou.
Entenda o impasse
O Passe Livre Estudantil foi suspenso na segunda-feira, 2, quando o Sinetram comunicou, pelo aplicativo Cadê Meu Ônibus, a interrupção de novas recargas para alunos da rede estadual. O sindicato alegou pendências financeiras no custeio do transporte coletivo.
O Governo do Amazonas, por outro lado, afirma que os repasses referentes a 2026 estão em dia e questiona dívidas relacionadas à gestão anterior. A divergência deixou estudantes sem nenhuma previsão para a normalização do benefício.
Na quarta-feira, 4/11, a Justiça do Amazonas acolheu um pedido da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e de entidades estudantis e determinou que o Sinetram restabeleça as recargas em até 24 horas após a intimação. O descumprimento prevê multa diária de R$ 50 mil, limitada a R$ 1 milhão.
O que diz o Sinetram?
Em resposta à decisão judicial, o Sinetram afirmou que a retomada das recargas depende do repasse dos valores pela Prefeitura de Manaus e Governo do Estado.
Segundo o sindicato, o sistema de bilhetagem possui mecanismos de segurança que impedem a liberação de créditos sem a confirmação do dinheiro correspondente. “A disponibilização de novos créditos depende do efetivo ingresso dos valores correspondentes”, destacou a entidade.
O sindicato também afirmou que aguarda providências do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus para viabilizar o cumprimento da determinação judicial.