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Médica é denunciada criminalmente após morte de paciente em cirurgia plástica no Rio de Janeiro

Fonte: paranahoje.com.br | Data: 06/11/2026 13:47:54

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou uma denúncia criminal contra a médica Geysa Leal Correa decorrente do falecimento da paciente Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira. A tragédia ocorreu na sequência de uma cirurgia de lipoescultura realizada no dia 13 de novembro de 2023, nas dependências do Centro Médico Icaraí, situado na região central de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A acusação formal foi aceita pelo poder judiciário, especificamente pela 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo. Junto com o recebimento da denúncia, o juízo determinou a proibição cautelar e a suspensão imediata da prática médica por parte da profissional, impedindo-a de exercer atividades na área de saúde enquanto o processo penal tramita nas instâncias judiciais.

Detalhes da investigação e agravamento do quadro clínico

De acordo com os apontamentos apresentados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a médica Geysa Leal Correa provocou perfurações no intestino da vítima em três locais diferentes durante a execução da cirurgia estética. Os relatórios periciais e investigativos apontam que, logo após a intervenção cirúrgica, Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira manifestou fortes dores abdominais e dificuldades respiratórias.

Apesar das queixas explícitas da paciente, os relatos indicam que a profissional minimizou a gravidade dos sintomas apresentados. A transferência da paciente para uma unidade hospitalar de maior complexidade — o Hospital do Coração Samcordis — ocorreu apenas no dia seguinte, quando o estado de saúde já havia entrado em colapso crítico. Mesmo após a internação hospitalar e os esforços médicos, Aline Heloisa não resistiu e faleceu nove dias depois, em 22 de novembro de 2023, vítima de um quadro severo de infecção generalizada.

Falta de especialização e histórico de ocorrências graves

Os investigadores destacaram na denúncia que a médica responsável pelo procedimento não possuía o título de especialista em cirurgia plástica. Além disso, constatou-se que o estabelecimento onde ocorreu a lipoescultura carecia de infraestrutura e de recursos médicos adequados para prestar suporte imediato em situações de emergência e intercorrências graves.

O Ministério Público enfatizou que a atuação da profissional já era marcada por episódios anteriores de graves complicações de saúde envolvendo outras pacientes. O órgão ministerial ressaltou que a médica já acumulava denúncias prévias por homicídio, o que, na visão dos promotores, demonstra um padrão recorrente de negligência e descaso com a segurança e a vida humana.

Dados levantados pela Promotoria apontam a existência de pelo menos três casos de óbitos associados a intervenções de lipoaspiração e lipoescultura conduzidas pela mesma profissional, além de outras ocorrências que deixaram sequelas e deformidades permanentes em pacientes que passaram por procedimentos semelhantes.

Posicionamento do conselho profissional

Procurado para comentar o caso, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) declarou por meio de nota oficial que a situação cadastral da profissional permanece regular perante a autarquia federal.

A entidade médica esclareceu ainda que, até o momento da divulgação da denúncia, nenhuma comunicação ou notificação oficial havia sido enviada pelo Poder Judiciário. O conselho reforçou que, assim que receber qualquer determinação legal relativa à suspensão ou outras medidas cautelares, cumprirá rigorosamente a ordem judicial estabelecida.

Publicado originalmente em: agenciabrasil.ebc.com.br