Uma reportagem especial sobre corrupção eleitoral mostrou o desfecho de um caso ocorrido em São Lourenço do Piauí, onde um prefeito eleito confessou, em entrevista concedida logo após a vitória nas urnas, a prática de boca de urna durante a campanha de 2020. Biraci Maceno, conhecido como Bira, agradeceu publicamente o trabalho realizado no dia da eleição, o que levou adversários políticos a denunciarem o caso à Justiça Eleitoral. Posteriormente, gravações envolvendo o vice-prefeito Valdeci Castro também passaram a integrar a investigação, após ele supostamente detalhar um esquema de compra de votos. O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, em 2023, determinou a cassação da chapa eleita por entender que houve desequilíbrio no processo eleitoral.
A investigação revelou ainda denúncias sobre o volume de dinheiro movimentado nos bastidores da corrupção eleitoral. Segundo levantamento apresentado pela reportagem, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 43 milhões em operações ligadas a crimes eleitorais nos últimos dez anos, sendo 2024 o ano recordista, com R$ 28 milhões confiscados. Estados como Rio de Janeiro, Pará e Amazonas concentram parte significativa das apreensões, enquanto a Região Norte lidera o ranking nacional. Especialistas apontam que os recursos usados em práticas ilícitas podem ter origem em desvios de verbas públicas, fraudes administrativas e até no crime organizado, gerando impactos posteriores na gestão pública. Apesar da cassação, moradores afirmam que os antigos gestores seguem exercendo influência política no município, o que mantém o debate sobre a efetividade do combate à corrupção eleitoral.0